quinta-feira, 30 de setembro de 2010

sobre o amor de uma mulher e um homem

e quer saber, tem mais coisa que eu vou te falar. se eu te envergonho como mulher, pq faço sexo sem amor, só por prazer, não sei fechar as perna, você me envergonha como homem, que não consegue ser indivíduo no mundo, não consegue se trocar sozinho, sempre dependendo de mulheres pra te limpar. sua condição enquanto macho é tão risível quanto a minha enquanto fêmea. sorte a sua que eu não estive a procura de macho e sim de um companheiro. a grande diferença é essa: eu gosto da sua pessoa, do que vc é independente do que essa merda, essa porcaria de sociedade espera dos papeis sociais. você, apesar de eu achar que gosta da minha pessoa, me acha inferior a vc por não cumprir essas mesmas bostas de papeis. pois vou te dizer, você não é merda nenhuma também. e ao mesmo tempo é o que há de mais especial.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Cerrado Inverno

Um sabiá chama insistentemente a chuva de setembro em minha janela.
Eu tô com ele, também anseio a primavera.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

HAIKAI IV

fitando-me, mia.
quantos miados tens tu,
ó, gato surdo?

HAIKAI 3

mordeu criança:
"vovó, ele parece
não ter coração!"

HAIKAI II

pequena fera,
pelúcia, dente e unha,
que tem na cabeça?

HAIKAI

sentado e quieto
meu gato me olha: Miau!
grata companhia.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O fim dos tempos... ou o recomeço

Fico com a impressão de que falta para o ser humano a percepção holística da própria condição de humanidade. Estamos sempre jogando em grupos, escolhendo facções e noções do correto. Paralelamente, estamos sempre escolhendo o que não é digno de igualdade, o que é errado. Definimos parâmetros, às vezes tão desapropriados, para dividirmos as pessoas entre 'os nossos' e 'os outros', sendo que a noção de certo e errado vai depender do contexto em que o indivíduo se encontra, seu estado de espírito e sua construção histórico-social. Por que simplesmente não conseguimos pensar em nós mesmos enquanto uma unidade? Seria este um recurso de sobrevivência e 'evolução' inerente ao 'bicho homem'? Será que não é o momento de transformarmo-nos em um outro bicho? Porque as inúmeras verdades, contraditórias entre si, da humanidade parecem ser todas, ou quase todas, grades mentiras. O uso do conceito de 'verdade' me parece ter sentido apenas em um contexto de dominação, sendo, portanto, facilmente desconsiderável quando se pensa na humanidade em contraponto a sociedades. Assim, eu, de livre e espontânea vontade, abro mão de formular verdades, apenas busco conjecturas. Eis aqui mais uma.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Ensaio sobre a violência

Em uma conversa tensa com um grande amigo, me surgiu um novo tópico para reflexão: a violência entre nichos sociais pode ser justificável? A primeira vista, a minha resposta imediata é não, a violência entre diferentes nichos não pode jamais ser justificada. Porém, quando se pensa numa violência revestida em "resposta à altura", a discussão parece cambalear, tenta esquivar-se de responsabilidades pessoais, jogando a ação para o campo do socialmente construído e não de escolhas pessoais. Explico: a discussão com o amigo acima citado se deu pelo fato de ele, casado com um outro amigo, este, bastante agressivo em comentários e atitudes com os homens heterossexuais, achar que a ação agressiva de homossexuais contra heterossexuais se justifica pelo contexto histórico. Poxa... eu não sei se estou sendo reversamente incompreeensiva, mas me parece que destratar indivíduos por sua orientação sexual é errado, seja o indivíduo homossexual, heterossexual, transexual ou as outras palavras da sigla GLBTTDSSRRZVCF. Na minha humilde percepção de mundo, qualquer julgamento a priori está intrinsecamente errado. Não me interessa se você é negro, judeu, branco, alemão, italiano, jordaniano, gay, hetero, lésbica, transexual, bissexual, pansexual... desde que você não me violente. Uma das frases que eu mais amo no mundo: o que somos não está na essência, mas sim na relação.