terça-feira, 26 de novembro de 2019
Oi. Tudo bem? Desculpa te mandar essa mensagem a essa hora, mas sabe o que acontece? Hoje ouvi uma música que me fez sentir como nunca antes o lance de eu ter feito 2 abortos na vida... E você é a única pessoa que sabe desses dois abortos, acredita? Nem meu psicólogo sabe. Nem a Rê sabe. Ela acha que o primeiro foi um aborto espontâneo. Pro meu psicólogo só contei do primeiro, quando eu tinha 19 anos. Não tive coragem de contar que me permitir passar por isso uma segunda vez. Ser adulto é um caralho e ter filhos é um outro caralho bem maior enfiado no rabo. O quanto eu amo meu filho é indizível, assim como o quanto eu odeio a maternidade e sua rotina castradora. Meu companheiro é simplesmente maravilhoso, o que não muda em nada a dimensao do meu sofrimento. Eu sou o que sou, e isso não é bonito. Eu sinto saudades de você. Uma saudade mítica, platônica. Escrevo tudo isso só pra poder apagar depois. Pra me livrar desse grito que se revolve diuturnamente nessa senhora que te escreve. Uma senhora. Meus cabelos brancos começaram a pipocar e meus olhos caíram. Estou mais magra e fumando como nunca antes. Me sinto um cocô e queria voltar pra nossa latrina, mas ela nem existe mais, só eu, cagada. Cagada.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Flor de Amor
Deslacro o invólucro
umbilical, me ponho em aberta flor.
Me solto. Todo o meu pólen
– pequenos cacos – a aberto espaço.
Não mais eu, mas o todo.
Onde foram parar meus
pequenos fragmentos?
Não lamento, só
sinto.
Expando. Expando e me
espalho com o vento.
Chego à sua janela,
pela qual continuo expandindo adentro.
Até que toco seu
rosto em um suave beijo.
Sussurro:
“Tudo isso foi só pra
dizer
Que estou gostando de
você.”
Você já percebeu como
em todo desabrochar existe uma paixão?
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Abelheu
A abelha...
A abelha morreu.
Eu matei a abelha.
A abelha...
A Abelha Sou Eu.
Eu morri na abelha.
A morte não é confortável. Ela não é confortável.
Ela é acolhedora. A grande acolhedora de todo fim de ciclo.
Mas não é ruim estar na morte.
A gente esquece que já foi vivo.
A abelha esqueceu?
Eu esqueci?
Tudo morre.
Tudo acaba.
Tudo permanece.
Tudo permanece?
Eu permaneço.
E a abelha? Permanece?
Estaria ela sofrendo sua morte? Sem saber onde está ou mesmo
o que é. Ela sente. E sentindo ela sabe. Mas por que morrer? Por que ela sente a bunda se abrindo? Ela tenta arrumar, tenta dar um jeito naquela bagunça,
mas já não há tempo. Quanto tempo levou pra aquela bagunça acontecer? Em qual micro-segundo
ela sentiu aquele arrebatamento?
Arrebentamento. Arrebentou alguma coisa aí dentro...
Sinto muito... eu tentei mandar você embora, mas você ficou
toda agitada daquele jeito! Vindo pra cima de mim como se eu fosse um predador!
Um predador? Uma presa!
O que você tava fazendo aqui, abelha? Qual era seu recado? Espero
que eu não precisasse te dar um resposta, essa que você levaria com todo zelo
de volta pro mundo de onde saiu com a mensagem. Qual era a mensagem?
Era sobre a acolhedora e pouco confortável morte?
Era sobre o esquecer de algo? Ou sobre o lembrar de alguma
coisa? Coisa alguma...
Não há tal coisa ‘coisa’.
Coisa alguma. Ou pouca coisa.
De qualquer forma, era uma vida, uma abelha vida. Talvez uma
colméia inteira. Era uma abelha vida, viu...
E quem não leva uma abelha vida deveria se envergonhar! É uma
vergonha que carregue toda essa colméia escondida, acaçapada como algo feio
e indesejável. Ora, deixe de bobagem! Venha cá, ponha sua colméia pra fora! Ela
é linda e merece um lugar especial no mundo.
Eu mereço um lugar bonito e especial no mundo. Nos seus
braços, abelha! Em seus minúsculos e fininhos braços, cabeludinhos... engraçados,
é fato, mas eles carregam toda sua colméia, toda a colméia que há em você. Toda
colméia que é você. Toda colméia que sou eu.
Agora sinto seu zunir, seu zunzun em tudo que é eu. Na boca de eu, nos dedos teclando de eu. Tudo agora
é abelha e tudo tem ferroada. É meu zunzun agora. Agora eu sou a abelha e a
abelha pode ser eu.
Não, não pode, não.
Eu morri na abelha
E a abelha em eu vive.
domingo, 8 de janeiro de 2012
despertar
somos pontes de arco-íris, sementes de luz e amor prestes a brotar. após eras e eras de cuidadosos preparativos, enfim surge o necessário ambiente para a grande jornada que se seguirá. alcançada a perfeita frequência de luz e som, a ideal combinação de elementos fisiológicos, inicia-se o processo conjunto de despertar.
sementes de casca grossa, amontoadas em pequenos e infinitos canteiros, semeadas ao gosto do acaso, tornamo-nos capazes de iniciar nosso processo de emergir da dormência. cada semente apenas poderá ser acordada pela própria luz interior e, iniciado o processo, a existência assume fluidez tal, nunca antes experimentada pela ativa consciência que a experiencia. não existem métodos de influência externa no processo. este somente ocorre a partir de mecanismos internos à semente.
brotamos pelo céu da boca. a sensação é de uma grande pressão no palato, seguido de um profunda vontade de abrir-se, partir-se ao meio, deixar que a luz seja liberada e ilumine os escuros caminhos das existências que nos cercam.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
não sei o que é. seria o maldito inferno astral? ou será o retorno de saturno tornando as coisas tão difíceis que a interpretação alheia de uma tentativa de aproximação é vista como agressividade? ou será que é a minha essência? bélica, frai-ki indissociável, prestes a partir para um outro mundo onde a guerra faz sentido.
juro que não tenho resposta... talvez a alternativa correta seja a TAA: todas as alternativas anteriores... eu sei que exagero de quando em quando e que também não sou uma pessoa fácil e dócil. mas tem coisa que não consigo engolir... são grosserias, babaquices que não se diluem no meu espectro de aceitável ou compreensível, que é bem amplo. questões pontuais que me demonstram que o problema talvez esteja em mim: a minha incapacidade de obter respeito. minha natureza apolítica e relativista me torna uma pessoa não-respeitável. humilhável, descartável, não-confiável... eu tenho vergonha de mim e ao mesmo tempo tenho todo o orgulho. eu sei que quem me aponta não é melhor do que eu. o mundo espera o comportamento padrão e esse não me diz respeito. os padrões, deixo aos apadrinhados. eu não tenho pai nem padrinho nem patrão. tenho a mim mesma e a minha fé, minhas mutantes convicções.
pela grosseria, verto. fruto daquela feridinha no envólucro dos gêmeos bagos ego e orgulho: a vergonha. minha reflexão, não dou, somente empresto. como um bumerangue, vai conferir o que se passa e volta. nesse caso específico, sei: não flexiono.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
temporada dos afetos
Lá pelas tantas do ano, abre-se as inscrições para a
temporada de afetos furtivos.É o verão chegando,
apesar de tanta chuva e muito cinza graças a deus,
por mim, o verão nunca teria pressa). São tantos os moços
bonitos para se olhar. Uma variedade e todos tão soltos,
tão barbudos e tão dispersos. E pudesse eu teria todos.
Um a cada dia da semana, reinando uma única vez na vida,
como um astro bem colocado no céu de mim. E no meio da dispersão,
no meio da rua, assim, querendo todos, sem querer ninguém.
Aparece o único que quero mesmo. Ainda sabendo que quero
no desejo, não no juízo. Ele ainda é bonito. Cada vez mais.
E eu continuo cabendo perfeita no seu abraço.
Mas ele é ausente e por isso mesmo, está aberta a
temporada dos afetos.
por Mônica Santana no eusouamelie.blogspot.com
temporada de afetos furtivos.É o verão chegando,
apesar de tanta chuva e muito cinza graças a deus,
por mim, o verão nunca teria pressa). São tantos os moços
bonitos para se olhar. Uma variedade e todos tão soltos,
tão barbudos e tão dispersos. E pudesse eu teria todos.
Um a cada dia da semana, reinando uma única vez na vida,
como um astro bem colocado no céu de mim. E no meio da dispersão,
no meio da rua, assim, querendo todos, sem querer ninguém.
Aparece o único que quero mesmo. Ainda sabendo que quero
no desejo, não no juízo. Ele ainda é bonito. Cada vez mais.
E eu continuo cabendo perfeita no seu abraço.
Mas ele é ausente e por isso mesmo, está aberta a
temporada dos afetos.
por Mônica Santana no eusouamelie.blogspot.com
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
EU ME LEVANTO, EU ME LEVANTO, EU ME LEVANTO, EU ME LEVANTO
Você pode me riscar da história
Com mentiras lançadas ao ar
Pode me jogar contra o chão de terra
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar
Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui poços de petróleo
Bombeando na minha sala de estar
Assim como Luas e Sóis,
com a certeza das marés
Como a esperança emergindo da desgraça,
assim vou me levantar
Você não queria me ver quebrada?
Cabeça baixa e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Enfraquecido pela minha alma que chora?
Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
ouro enterrado no jardim
Você pode me atingir com suas palavras
Você pode me dilacerar com seus olhos
Você pode até me matar com seu ódio
Ainda assim, como o ar, eu vou me levantar
Minha sensualidade o ofende?
Será que ela te surpreende?
Como se quando eu dançasse
guardasse diamantes onde minhas coxas se encontram?
Da favela, da humilhação causada pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado pela dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé
Crescendo e espandindo-se, como maré
Deixando pra trás noites de terror e atrocidades
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom dos meus antepassados,
Eu sou o sonho e a esperança do homem escravizado
Eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto
Dr. Maya Angelou
Com mentiras lançadas ao ar
Pode me jogar contra o chão de terra
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar
Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui poços de petróleo
Bombeando na minha sala de estar
Assim como Luas e Sóis,
com a certeza das marés
Como a esperança emergindo da desgraça,
assim vou me levantar
Você não queria me ver quebrada?
Cabeça baixa e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Enfraquecido pela minha alma que chora?
Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
ouro enterrado no jardim
Você pode me atingir com suas palavras
Você pode me dilacerar com seus olhos
Você pode até me matar com seu ódio
Ainda assim, como o ar, eu vou me levantar
Minha sensualidade o ofende?
Será que ela te surpreende?
Como se quando eu dançasse
guardasse diamantes onde minhas coxas se encontram?
Da favela, da humilhação causada pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado pela dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé
Crescendo e espandindo-se, como maré
Deixando pra trás noites de terror e atrocidades
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom dos meus antepassados,
Eu sou o sonho e a esperança do homem escravizado
Eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto
Dr. Maya Angelou
terça-feira, 23 de agosto de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
em busca de cura
quero me curar, quero estar bem, quero amar ao próximo e a mim mesma. o auto-amor salva.
Benvindo
Quisera eu saber por certo
Tua ausência ter nome de espera
E tua espera ter nome de desejo.
Ah, se me tivesse essa ciência...
Por certo estaria ao seu lado
Num silencioso chamado:
Vinde, é risco perder a paciência.
Tua ausência ter nome de espera
E tua espera ter nome de desejo.
Ah, se me tivesse essa ciência...
Por certo estaria ao seu lado
Num silencioso chamado:
Vinde, é risco perder a paciência.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Fim do mundo é a fé dos preguiçosos
Ando com a impressão que o tal fim do mundo é bem interessante pro mercado. Com a iminência do fim de tudo, o melhor que se pode fazer é usar o máximo, gastar o dinheiro e o corpo, ter o maior número de eletrônicos, cibernéticos, silicônicos, cosméticos, raríssimos, caríssimos, pechinchados, usáveis e inúteis possível, pois em breve você poderá não ter NADA. Nem mesmo esse frágil bem chamado vida. Gastemos os fluidos, tanto os nossos corpóreos quanto os da terra mãe. De que adianta consumir com consciência e minimizar o uso de bens naturais não-renováveis e de lenta decomposição se a qualquer momento a Terra pode virar uma almôndega de carne, sangue, lama e fogo?
Há a galera do fim do mundo que, pelo contrário, está trabalhando para a evolução espiritual, para a elevação antes que este mundo purgatório se acabe, mas em geral é bem mais prático acreditar no fim do mundo e se entupir de coca-cola e MacDonalds...
O fim do mundo é a fé dos preguiçosos.
Há a galera do fim do mundo que, pelo contrário, está trabalhando para a evolução espiritual, para a elevação antes que este mundo purgatório se acabe, mas em geral é bem mais prático acreditar no fim do mundo e se entupir de coca-cola e MacDonalds...
O fim do mundo é a fé dos preguiçosos.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
sobre o amor de uma mulher e um homem
e quer saber, tem mais coisa que eu vou te falar. se eu te envergonho como mulher, pq faço sexo sem amor, só por prazer, não sei fechar as perna, você me envergonha como homem, que não consegue ser indivíduo no mundo, não consegue se trocar sozinho, sempre dependendo de mulheres pra te limpar. sua condição enquanto macho é tão risível quanto a minha enquanto fêmea. sorte a sua que eu não estive a procura de macho e sim de um companheiro. a grande diferença é essa: eu gosto da sua pessoa, do que vc é independente do que essa merda, essa porcaria de sociedade espera dos papeis sociais. você, apesar de eu achar que gosta da minha pessoa, me acha inferior a vc por não cumprir essas mesmas bostas de papeis. pois vou te dizer, você não é merda nenhuma também. e ao mesmo tempo é o que há de mais especial.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Cerrado Inverno
Um sabiá chama insistentemente a chuva de setembro em minha janela.
Eu tô com ele, também anseio a primavera.
Eu tô com ele, também anseio a primavera.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
O fim dos tempos... ou o recomeço
Fico com a impressão de que falta para o ser humano a percepção holística da própria condição de humanidade. Estamos sempre jogando em grupos, escolhendo facções e noções do correto. Paralelamente, estamos sempre escolhendo o que não é digno de igualdade, o que é errado. Definimos parâmetros, às vezes tão desapropriados, para dividirmos as pessoas entre 'os nossos' e 'os outros', sendo que a noção de certo e errado vai depender do contexto em que o indivíduo se encontra, seu estado de espírito e sua construção histórico-social. Por que simplesmente não conseguimos pensar em nós mesmos enquanto uma unidade? Seria este um recurso de sobrevivência e 'evolução' inerente ao 'bicho homem'? Será que não é o momento de transformarmo-nos em um outro bicho? Porque as inúmeras verdades, contraditórias entre si, da humanidade parecem ser todas, ou quase todas, grades mentiras. O uso do conceito de 'verdade' me parece ter sentido apenas em um contexto de dominação, sendo, portanto, facilmente desconsiderável quando se pensa na humanidade em contraponto a sociedades. Assim, eu, de livre e espontânea vontade, abro mão de formular verdades, apenas busco conjecturas. Eis aqui mais uma.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Ensaio sobre a violência
Em uma conversa tensa com um grande amigo, me surgiu um novo tópico para reflexão: a violência entre nichos sociais pode ser justificável? A primeira vista, a minha resposta imediata é não, a violência entre diferentes nichos não pode jamais ser justificada. Porém, quando se pensa numa violência revestida em "resposta à altura", a discussão parece cambalear, tenta esquivar-se de responsabilidades pessoais, jogando a ação para o campo do socialmente construído e não de escolhas pessoais. Explico: a discussão com o amigo acima citado se deu pelo fato de ele, casado com um outro amigo, este, bastante agressivo em comentários e atitudes com os homens heterossexuais, achar que a ação agressiva de homossexuais contra heterossexuais se justifica pelo contexto histórico. Poxa... eu não sei se estou sendo reversamente incompreeensiva, mas me parece que destratar indivíduos por sua orientação sexual é errado, seja o indivíduo homossexual, heterossexual, transexual ou as outras palavras da sigla GLBTTDSSRRZVCF. Na minha humilde percepção de mundo, qualquer julgamento a priori está intrinsecamente errado. Não me interessa se você é negro, judeu, branco, alemão, italiano, jordaniano, gay, hetero, lésbica, transexual, bissexual, pansexual... desde que você não me violente. Uma das frases que eu mais amo no mundo: o que somos não está na essência, mas sim na relação.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Como é bom sonhar!
Após dias de muita angústia, insatisfação, carência e mal estar psicológico, ontem entrei num tipo de catarse: muita culpa pelas palavras proferidas, pelas decisões tomadas, pelas escolhas feitas. UMa clareza de raciocínio me mostrando verdades que eu não gostaria de ver, que me trazem responsabilidades que não gostaria de asumir... Uma sensação que não me lembro de ter sentido antes... um aperto, como que uma dó, um pesar por diversos dos seres que circulam meu universo... Como se eu tivesse, em minhas relações, atacado todos eles, sido implacável em ações tolhedoras e/ou chantagistas. Catalisada por droguinhas cotidianas, o pesar tornou-se um sofrimento bem na boca do estômago e também no peito, principalmente no coração. Não consegui derramar uma lágrima. Somente me revirei na cama buscando uma posição onde essa sensação incomodasse menos.
As 06:30 da manhã consegui dormir. Comecei a ter sonhos bons, como que de um futuro legal, mais ensolarado, digamos. Um dia fresco, de brisa, em um dos meus lugares oníricos permanentes: abaixo da quadra onde moro, no meio do cerrado, virando uma rua lá em baixo, chegou no mar. É um mar inacessível, sem praia, quase que um cenário. Mas é um lindo cenário. Enfim, após acontecimentos gostosos, leves e silenciosos, eu começo a me movimentar com tamanha leveza, como que tendo a gravidade diminuido, e saio andando em uma rua cheia de verdes e flores, em pulinhos leves, lentos, cada vez mais leves... estou prestes a voar...
Acordo com a sensação de paz e leveza do sonho, a qual mantenho até o momento.
Essa noite eu sonhei com a esperança...
As 06:30 da manhã consegui dormir. Comecei a ter sonhos bons, como que de um futuro legal, mais ensolarado, digamos. Um dia fresco, de brisa, em um dos meus lugares oníricos permanentes: abaixo da quadra onde moro, no meio do cerrado, virando uma rua lá em baixo, chegou no mar. É um mar inacessível, sem praia, quase que um cenário. Mas é um lindo cenário. Enfim, após acontecimentos gostosos, leves e silenciosos, eu começo a me movimentar com tamanha leveza, como que tendo a gravidade diminuido, e saio andando em uma rua cheia de verdes e flores, em pulinhos leves, lentos, cada vez mais leves... estou prestes a voar...
Acordo com a sensação de paz e leveza do sonho, a qual mantenho até o momento.
Essa noite eu sonhei com a esperança...
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
E eu aqui, pensando... que pensar demais continua sendo um motivo de desvalorização do indivíduo enquanto objeto de desejo sexual... como é 'brochante' uma mulher que pense demais... as chatas... comumente vistas como lésbicas... de fato, pensar demais nos traz um sério problema com os homens... não dá pra pensar nisso tudo e ainda ser a mulézinha de um macho prepotente e, muitas vezes, menos inteligentes que nós. quando nos apaixonamos, ficamos irracionais, burras, sorridentes... acaba a paixão e nos perguntamos: que diabos eu tava fazendo mermo? ser mulher é um saco... se tiver reencarnação, quero vir um macho. desses legais, sensíveis, que gostam de mulher e que têm pau grande.
Tô querendo falar sobre uma coisa, mas não identifico bem qual é essa coisa...passa pela dificuldade que é ser mulher, mas passa principalmente pela estrutura de poder que nos traz tantas obrigações e tão poucos benefícios... passa pela injustiça orgânica que sofremos, com nossos corpos reprodutores... e nós tentamos, criamos artifícios, saídas estratégicas, comportamentos para nos sentir mais indivíduos. e conseguimos... um pouco, às vezes, com ressalvas... acho que queria falar sobre a marginalidade inerente à mulher.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
estar sozinha, por mais que nao seja opção neste momento, é a melhor saída para que esta noite acabe bem. lua cheia, período fértil, um amor distante... volúpia contida, transformada em moleton e cabelo mal preso. vontade de vestido, rímel, salto e cigarros charmosos... bebida paga por um interessante e desinteressado objeto de desejo... satisfações da vaidade e, quem sabe?, do corpo... mas deixo isso tudo para as outras, as não-amadas, as livres e libertinas mariposas, pintadas de negro e cinza, forjando a segurança de um grande vertebrado, porém, sendo fatalmente atraídas pelo brilho. ai... quem me dera permitir-me a mariposa. sair só de casa, 01h da manhã, fumando e bebendo uma vodka ruim. encontrar o mais proibido dos pretendentes, fazer-me vítima e usurpadora... gastar o corpo e seus flúidos, pecar contra o grande deus amor. fazê-lo saber: ainda sou mais eu. voltar pra casa desmantelada, bambeando no corpo e na idéia, temendo o dia que se segue, pronta para a redenção ao pouco zeloso e tão proibitivo deus.
furacões
em meio a furacões diversos, percebo o valor da individualidade. da possibilidade de deixar todos os problemas alheios, mesmo os que me afetam, e me sentir apta a desenvolver minhas capacidades. Pensando em dinheiro, em satisfações diárias, na maioria das vezes, compradas, ligadas ao mundo material. há a espiritualidade, por certo, mas esta, para mim, muito mais se satisfaz quando depositada sobre a natureza, sobre as forças galácticas indomáveis, sobre o fluxo de matéria/energia que se faz cabal. não quero um anjo para me salvar, não quero um demônio para me divertir... quero apenas um rio que me lave a alma... me lave a alma...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Ensaio sobre a covardia
Ser covarde é criar m email fake para criar um blog.
O blog já não é um fake de uma real criatura?
Já não é um recorte?
Pois eu preferi a covardia do anonimato a fazer um recorte bonito e insatisfatório.
O blog já não é um fake de uma real criatura?
Já não é um recorte?
Pois eu preferi a covardia do anonimato a fazer um recorte bonito e insatisfatório.
Ensaio sobre a ferocidade
Uma fera domada:
Um sonho esquecido;
um mudo aparelho de som;
uma vida em solidão.
Um sonho esquecido;
um mudo aparelho de som;
uma vida em solidão.
Poesia?
Estilhaço
Fervo.
Sirvo.
Varro o barro.
Bipo...
Probo!
Provo:
Próprio engodo.
Estilhaço.
Este laço fez-se em nós.
Fervo.
Sirvo.
Varro o barro.
Bipo...
Probo!
Provo:
Próprio engodo.
Estilhaço.
Este laço fez-se em nós.
Desvirginando-me
Perder a virgindade no universo da publicação é foda. Em meio a uma madrugada de terça-feira, embriagada, escrevendo a mão trocadilhos bobinhos sobre o 'viver', me peguei com coragem suficiente para criar um email novo, que ninguém reconheceria nem jamais poderia deduzir quem sou e abrir uma página para botar pra fora as bolas de pelo que acontecem de quando em quando em quando em quando...
Enfim, apresento ao universo paralelo, minhas anônimas e covardes poesias.
Que desfrutem o que por aqui passarem.
Enfim, apresento ao universo paralelo, minhas anônimas e covardes poesias.
Que desfrutem o que por aqui passarem.
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